| O Último Sopro | |
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| Tweet Topic Started: 7 Nov 2017, 01:43 (97 Views) | |
| Erok | 7 Nov 2017, 01:43 Post #1 |
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Old School
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Eli aconchegou a capa de pele ao seu corpo, segurando-a junto ao queixo. O gesto não serviu de muito conforto, pois o frio insinuava-se nos seus ossos como se eles próprios fossem estacas de gelo. Estava longe de se considerar velho, mas o seu vigor de outrora cedia lentamente lugar às maleitas da idade. Raro era já o dia em que não tivesse que massajar uma parte do corpo para combater alguma pontada de dor ocasional. Isto, quando não acordava já rígido, onde cada movimento o consumia como fogo desde o fundo das costas até debaixo dos ombros. Acenou por duas vezes com a cabeça passando por rostos familiares. Há muito que outras saudações tradicionalmente mais animadas tinham caído em desuso face aos pesados espíritos dos habitantes da cidade de Repegia, assim como no restante reino. Mal reconhecia a terra onde nascera, crescera e onde se aventurara por muitos anos. Onde outrora uma cidade populosa fervilhava de actividade, agora apenas sombras restavam. Sombras dos muitos edifícios vazios, abandonados e pilhados ou apreendidos e esvaziados. Sombras dos seus habitantes, desaparecidos, assassinados, levados e sacrificados; e dos restantes, cabisbaixos, resignados e vazios. O rosto coberto de barba hirsuta que os reflexos das janelas lhe devolviam, espelhava habitualmente a mesma atitude derrotada, mas hoje um fogo gélido brilhava nos seus olhos azuis e determinação endurecia as suas feições. Quando virou a esquina viu a luz inconstante que emanava das janelas do único edifício da rua que apresentava sinais de habitação. Era uma estrutura de tamanho considerável, claramente não uma moradia pessoal, mas um ponto de encontro, uma sede outrora influente. Perto de metade do edifício se encontrava ruído no seu lado esquerdo, iluminado apenas numa divisão no canto oposto. Os danos na construção estendiam-se ao longo da fachada, sinais da sua utilização como reduto defensivo numa batalha perdida há muitos anos. Por cima da porta restava um varão de ferro partido, onde Eli se lembrava de nos seus tempos de ouro ver pendurada a placa em forma de escudo com o nome: "Guilda da Ventura". Entrou por essa mesma porta sentindo pouco alívio pelo cessar do vento, e seguiu pelo corredor da direita, caminho seu conhecido, ouvindo o burburinho de conversa, talheres e louça aumentar gradualmente. Empurrou a porta que emanava luz de chamas pelas suas extremidades, revelando uma sala ampla e agradavelmente não gelada. Distribuídos pela divisão em diversas mesas e bancadas, encontravam-se umas três dezenas de comensais. Apesar do número, a sobriedade dos presentes permitia ouvir o crepitar da lareira por entre os ruídos das refeições e da leve conversa. Para além de mais alguns acenos de cabeça, ninguém deu caso da presença de Eli, que apesar de não ser cliente frequente era bem conhecido dos presentes. Numa cidade tão desertificada não era surpresa que os seus habitantes se preferissem juntar ocasionalmente, mesmo sem motivo de festa, para partilhar a solidão, o calor e a escassa comida. Chegando-se ao balcão, e enquanto Calado, o anfitrião, servia outro freguês, observou melhor a sala. Os rostos que fitava igualavam o desgaste do seu. Entre homens e mulheres, poucos tinham menos rugas. O ocasional inválido ou simples de mente tinham escapado às conscrições, perseguições e acusações de feitiçaria ou colheitas de sacrifícios. O rei Jobe, conquistador vindo do sul, havia trazido o seu império para as terras de Garehein há quase 10 anos, impondo os seus costumes e ideologia com mão de ferro. A magia, parte integral da vida em Garehein foi banida e todos os seus praticantes conhecidos executados. Todos os homens jovens e capazes foram tomados como escravos ou conscritos ao crescente exército do império Qhaij. As mulheres em idade fértil levadas para serem também escravizadas e impregnadas apenas com "a semente do império", ou para serem utilizadas como fonte dos inúmeros sacrifícios feitos em nome de Qalel, o deus dos Qhaij. Restavam os agricultores e os produtores, agora sem filhos, filhas ou outras esperanças de vida que não sobreviver com o que sobrava das recolhas das pesadas "doações" recolhidas pelo rei. Mas não era em vão que aquele local fora escolhido como abrigo capaz de dar alguma fraca sensação de segurança. Ali, o último bastião de batalha da cidade a ceder às forças do império. Entre os rostos persentes, Eli reconheceu muitos, que como ele, tinham pertencido à guilda, e também como ele, escapado ao escrutínio dos Qhaij quando ainda teriam idade para ser recrutados. Alguns, utilizadores de magia até, dissimularam a sua idade, outros haviam-se escondido ou fugido para retornar mais tarde. Como Eli, muitos tinham vergonha dos seus actos, ou da falta deles, enquanto a população de Repegia era escravizada e assassinada, mas a batalha tinha sido perdida e as forças invasoras em demasiado número para enfrentar. Nos últimos anos, o rei Jobe tinha abrandado a sua sede de conquista nas fronteiras do império, após algumas derrotas resultado da diluição do exército em demasiadas frentes, mas não parecia vacilar no poder que detinha sobre a região. No entanto, Eli já vivera o suficiente naquele inferno, para se arrepender de não ter morrido a defender a sua liberdade. Como ainda não tinha sido servido, agarrou na caneca de metal do seu vizinho de balcão, e virado para o resto da sala, lançou-a ao chão com toda a sua força. Quando o som metálico parou de ecoar na sala, os seus residentes estavam em silêncio total, com a atenção focada em Eli. Este cruzou olhares com os antigos aventureiros que conhecia, assim como com outros que ainda não estavam demasiado velhos para pegar numa espada, antes de começar a falar de forma a que todos ouvissem: - QUE VIDA DE RATOS É ESTA? Escondidos na nossa própria terra, a comer os restos da nossa colheita? Levaram os vossos filhos, as vossas filhas, irmãos... VALE A PENA VIVER ASSIM? Silencio ainda. - Foi aqui que eu aceitei a minha primeira missão da guilda. Foi aqui que eu ganhei a minha primeira moeda de ouro. Foi aqui que eu matei tantos Qhaij quantos consegui. E foi por ali que eu fugi com alguns de vós. - Apontou para uma reentrância na parede, em tempos uma passagem secreta, agora coberta por escombros, pausando para olhar em redor. -Pois. Faz demasiado tempo desde que matei um deles. Eles são demais. Desistimos... Mas há um que faz a diferença. Amanhã parto para matar o rei Jobe. Quantos de vocês levantarão armas uma última vez? Os presentes trocavam olhares entre si. - Será muito provável que a morte esteja no nosso caminho, muito antes até de chegar ao nosso destino, como aconteceu a muitos antes de nós. Mas quem me acompanha nesta última aventura? Pelo menos tentar. (No char sheet, post away) Edited by Erok, 7 Nov 2017, 14:44.
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Name: Hideo Raiji Position: Capitão Weapon of choice: Quatro pistolas, punhal Akuma no Mi: Tamashī Tamashī no mi Wanted reward: 0 berri Signature moves: Bullet Tornado | |
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| Morgomir | 7 Nov 2017, 17:37 Post #2 |
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O Rei da Festa
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A garra de oricalco de Skrit raspava na madeira da mesa, enquanto ouvia Eli falar. Por trás da máscara que lhe cobria as feições de rataza, os olhos verdes fixavam o velho que tentava exaltar os membros daquela sala a partir numa demanda suicida para matar o rei Jhobe. Skrit não pôde evitar um "xhi-xhi", em jeito de gargalhada. Skrit não era daquele reino, viera de longe de uma terra onde os ratmen não eram uma lenda como ali, mas bem reais apesar de escondidos. Os seus pensamento viraram-se para um certo comandante leonino, companheiro de várias aventuras e em vários planos que tinham tudo para falhar mas raramente falhavam apesar de terem tudo contra eles... como sombras e coisas do género. O que faria Knox se ali estivesse? Encolheria os ombros e voltaria ao copo ou aceitaria o valor do velho e juntar-se-ia a ele? Provavelmente, aceitaria por algo mais talvez. "Parece Raenbarg desde o início..." meditou, enquanto a pata enluvada afagava a sua melhor adaga feita a partir da lâmina da picareta de Thenurmon, enquanto a adrenalina lhe pulsava no corpo. Talvez ele conseguisse algo mais, alguma importante jóia da coroa... Por outro lado, nunca uma das suas armas tinha sido lavada por sangue real, pelo que ponderava até que ponto não seria também ela uma sensação interessante. Com um movimento rápido espetou a adaga na mesa e soltou uma pequena gargalhada novamente: - Posso não ser daqui... Mas e porque não? Draib Stabbyfingers... - fez uma pequena vénia em cima do banco. - Ao seu dispôr. |
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Name: Kyunmei Tanaga Position: Mosqueteiro e Armeiro Weapon of choice: Espingarda e duas pistolas Power and abilities: Gunpowder skills Wanted reward: 0 berri Signature moves: Pistol Marksmanship: - REPEL SHOT - Explosive Shot | |
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12:38 AM Jul 11
