| Se eu não abrir os olhos | |
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| Tweet Topic Started: 20 Jul 2010, 01:59 (3,278 Views) | |
| Yangsmoth | 20 Jul 2010, 01:59 Post #1 |
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Viajante de Honra
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As velas rasgadas moviam-se, mas não havia vento, apenas um olhar. Um olhar átono, contradizendo com o seu peso, como se aquele olhar carregasse todo o vazio do mundo. A paisagem era escura, falésias escarpadas elevavam-se das águas plácidas como múmias de basalto. Não havia antecipação no ondular sereno do mar escuro, se os mares tivessem alma, aquele não teria, apenas tristeza. Alto, com toda a elegância de quem está para além de tudo, a figura à proa desceu para o porão, onde várias figuras grotescas aguardavam, como estátuas de carne morta. Parado no meio da tristeza, o ranger mudo das tábuas debaixo dos seus pés, o tecido cinzento do manto que envergava a roçar o convés, a figura limitava-se a observar, a fina bengala de ferro assente no chão. O rosto era uma máscara de cera, liso, brilhante, os olhos de um azul quase branco. O olhar, o olhar. O olhar percorreu as figuras petrificadas, e músculos que há muito se deviam ter desfeito desatrofiaram, e os corpos viram-se de novo bombeados por sangue. Sangue morto. - Os mortos têm sempre questões. – Afirmou a voz eólica que saiu daquela perturbante garganta de sera. Mesmo entorpecidos, despertos de um longo sono, todos os presentes ouviram a afirmação daquele ser bizarro. E à medida que as mentes se habituavam aos corpos, e às dores, a memória nada fazia. Não se lembravam de nada. Dos nomes, de quem eram. "Os meus sonhos são os teus sonhos." Lembrou-se o Principe da Dor. "Dá-me a mão. Eu levo-te ao outro lado." Recordou a Noiva Vermelha. E afins frases avivavam-se nas mentes daqueles corpos castigados. Eles não sabiam o que a frase queria dizer, mas sabiam que era importante. Tão importante quanto uma única memória pode ser. A única amiga. A única indicação de que existiram para além do navio. Incapazes de falar devido ao choque da dor, despertos mas ainda petrificados, os tripulantes não se mexeram enquanto o homem com o rosto de cera passava por cada um deles, e dizia em voz alta, como se recitasse uma lista, o nome de cada um. "O Homem das Duas Faces." "A Espectro de Porcelana." E assim sucessivamente. Ninguém compreendia, mas todos aceitavam. Inconscientemente ou conscientemente, aquela era a nova identidade, a única que conheciam, e foi como mergulhar num lago de alívio. E então, como um tendão a estalar, a mente aclarou-se. E cada um tomou consciência de si próprio. Livres para andar, para perguntar, para sentir. ________________ Dun dun dun. Postem só aqueles a quem já dei as descrições necessárias. |
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| Magnus Lupus | 20 Jul 2010, 02:59 Post #2 |
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Viajante em Primeira Classe
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Lentamente, o Homem abriu os olhos. Fiapos de cabelo ruivo e sujo toldavam-lhe a vista, desfocada nas tábuas cinzentas do chão. Demorou a tomar consciência de si mesmo, inspirando profunda e demoradamente, lançando turbilhões de ar em pulmões pejados de pó e podridão. Algo não estava certo. Ergueu a sua mão direita à cabeça, mas antes que esta tocasse sequer num dos seus cabelos, lançou-lhe um olhar rápido. O que viu fê-lo soltar um grito do mais abjecto terror e estender o braço em repulsa, tentando literalmente fugir do membro. |
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| Yangsmoth | 20 Jul 2010, 03:00 Post #3 |
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Viajante de Honra
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- Boo! - Retorquiu a cabeça no braço do Duas Faces. |
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| Magnus Lupus | 20 Jul 2010, 03:04 Post #4 |
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Viajante em Primeira Classe
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Esquecendo-se que o braço a que aquilo estava ligado ainda era o seu, o Homem tentou rastejar para fugir, levando as mãos ao chão. |
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| Alfador | 20 Jul 2010, 03:13 Post #5 |
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O Maquinista
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Parado, a ouvir o resto dos nomes, foi a única coisa que o Príncipe fizera durante um pouco. De olhos ainda focados no vazio, um ligeiro meio sorriso surgiu na sua boca. Tudo à medida que inclinava ligeiramente a cabeça para a frente. Claro que o sorriso ficara maior. Um riso efeminado soou de rompante, à medida que elevou a cabeça para trás, projectando saliva da sua boca. Calou-se. Levou uma mão à cara, passando por ela lentamente, tão lentamente como agora olhava para os demais. Só neste momento o horror lhe passara pelos olhos. E pela palma. E tudo lhe parecia um sonho. Não que tivesse algo para comparar. |
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| Morfs | 20 Jul 2010, 03:28 Post #6 |
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ahah
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O homem já estava consciente a algum tempo. Olhava em redor e só via corpos, inanimados, conscientes mas inanimados. -"Conde mesquinho" -repetiu o homem murmurando para ele mesmo- Um conde pode ter tudo! -penso olhando para o homem com a mascara de cera que estava neste momento a passar por todos dizendo o suposto seu nome. Passado um minuto, o Conde vê uma moeda a cair. Olhou para o chão à sua volta e apanhou a moeda, pondo-a rapidamente na boca para ninguém a cobiçar, a moeda agora era só dele. |
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| Leto of the Crows | 20 Jul 2010, 09:32 Post #7 |
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Wiskas Saquetas
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Quando se sentiu novamente viva, tudo em seu redor entrou-lhe pelos olhos a dentro, já abertos. Um bando de seres disformes rodeavam-na, provindos sabe-se lá de que Inferno mais distante, todos eles vivos, aquelas imagens asquerosas... Tentou fechar os olhos para os esconder e impedir que fossem feridos por aquelas imagens repugnantes. Porém, as pálpebras não lhe obedeceram, não quiseram ocultar o cenário daquele porão. Levantou as mãos para tactear o que se passava com a sua face, mas quando o fez, ficou simplesmente terrificada com o que via. Agulhas, imensas agulhas, percorriam-lhe os membros, vindas do interior do próprio corpo. - O que... o que é isto? - Murmurou, falando consigo própria, sem compreender o que se passava. - Quem é o responsável por isto? Levantou os olhos para aqueles seres que a rodeavam, exigindo uma resposta. |
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| Alfador | 20 Jul 2010, 13:56 Post #8 |
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O Maquinista
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O Príncipe ainda meio horrorizado, conseguiu ainda soltar mais um sorriso. - Tenho pena de não ter sido eu... - comentara, quase não se apercebendo do sangue que escorria do seu crânio. Isto até a dor se tornar mais e mais óbvia no seu corpo. Acordou, sabia que o que tinha dito tinha algum sentido, mas o seu cérebro ecoava, como se de memória oca, com o seu nome, com 'Sonhos'. Facto que o dera uma ira repentina. Empertigou-se de imediato e virou a mão direita, de dedos para cima, começando o discurso. - TU! Criatura da máscara. - apontou para ele com a outra mão. O fio dos seus lábios não portavam um sorriso, mas sisudez. - Poupai-nos as perguntas, se sabes as respostas. A voz do Príncipe era fina e suave, não parecendo ser realmente de um homem. |
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| Erok | 20 Jul 2010, 15:47 Post #9 |
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Old School
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Sentiu-se enfim, desconfortável no entanto, cada movimento que fazia não lhe parecia natural, apesar de também não se lembrar como seria. Antes de sequer reparar nos que o rodeavam, viu os descomunais tumores e pústulas que o cobriam, seguido do negro coração que lhe pendia no peito, pensando em ter vontade de vomitar, sem de facto a ter. Vislumbrou então todos os corpos em seu redor, todos eles macabramente trabalhados e de olhos arregalados nada mais disse do que: -Pero... que... |
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Name: Hideo Raiji Position: Capitão Weapon of choice: Quatro pistolas, punhal Akuma no Mi: Tamashī Tamashī no mi Wanted reward: 0 berri Signature moves: Bullet Tornado | |
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| Aya | 20 Jul 2010, 16:38 Post #10 |
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Passageiro clandestino do Grande Comboio
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Sentiu de novo vida a aflorar-lhe as órbitas e... viu. Viu um espectáculo aterrador de figuras semi-imóveis no que parecia ser o porão de um navio, sobrevoado pelas velas rasgadas que dançavam, movidas por uma força invisível, pois a noiva não sentia vento... nem a mínima brisa. E no entanto teve frio, pela primeira vez em muito tempo... tempo? Muito? O seu coma, o seu sono, o seu pesadelo, a sua morte? Este estado do qual se libertava, fizera-lhe perder a noção de tempo. A sua pele gélida arrepiou-se quando a vista se focou o suficiente para se aperceber da realidade com que se deparava. O que viu era aterrador. Aquelas sombras eram massas disformes que lembravam corpos dilacerados. E estes pareciam acordar lentamente. Conteve um grito e de imediato sentiu ferro e fogo nas suas faces. Levou as mãos aos lábios e tudo o que sentiu foi uma estrutura metálica que a impedia de os tocar e que se estendia lateralmente. Pânico. A 'coisa' em forma de açaime enterrava-se na carne dos maxilares. Ao aperceber-se disto, sentiu uma dor intensa e abafou um gemido. Começou finalmente a aquecer por dentro quando um sentimento se começou a revelar... Ergueu os olhos furiosa. |
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~Aya* <a href="http://s249.photobucket.com/albums/gg239/LadyAyaBNatsume/?action=view¤t=Project1.png" target="_blank"><img src="http://i249.photobucket.com/albums/gg239/LadyAyaBNatsume/Project1.png" border="0" alt="Photobucket"></a> | |
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| Yangsmoth | 20 Jul 2010, 16:58 Post #11 |
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Viajante de Honra
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Alma de Nada viu as suas mãos brancas, radiadas por veias azuis. Encarou o homem da máscara de cera, e proferiu, com uma voz rouca de desuso. - Quem somos? A figura não lhe respondeu de imediato. - Condenados, criminosos, pecadores. Têm agora uma chance de redenção. |
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| caxixo | 20 Jul 2010, 17:28 Post #12 |
O galo Dançante
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O Carrasco sentia-se a sufocar com aquele capuz, sé é que é possível aos monstros sufocarem. Monstro. Era isso que as outras pessoas eram. E ele queria o sangue dessas pessoas, para não se tornar um monstro. Observando os cortes do seu corpo, sentiu-se repulsado. Ouviu a máscara de cera a falar e disse: -Como, redenção? |
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| Leto of the Crows | 20 Jul 2010, 17:37 Post #13 |
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Wiskas Saquetas
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- Que fiz eu para merecer isto? - Quis saber, baixando as mãos e avançando para aquela máscara de cera. - Que fizemos todos nós para merecer tal coisa macabra? |
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| Morfs | 20 Jul 2010, 18:05 Post #14 |
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ahah
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O conde tentava mexer-se, mas era em vão. Cada vez que se movia os seus ombros, dilaceravam-se cada vez mais. Outra moeda caiu. Apressadamente, baixou-se para apanha-la e com o anseio de a ter esqueceu-se das dores suportadas nos ombros. Olhava para os lados para se certificar que ninguém lhe seguiria o movimento. Ele desejava ser o único a ter a dor. -"E se morressem todos?" -pensou o conde- "Eu era o único a ter dor! A dor só suportada por mim, só por mim e mais ninguém!" -e durante estes pensamentos diabólicos o Conde puxava com os dedos as pálpebras, que não conseguiriam abrir muito mais - A dor é minha! |
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| Alfador | 20 Jul 2010, 18:15 Post #15 |
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O Maquinista
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- Pecadores... - cuspiu o Príncipe. Devolveu uma cara de nojo e desprezo, ao olhar para os demais. Ignorou-os, e observou o navio, e eventualmente para o horizonte. Caminhou lentamente para a frente, como se todo o barco fosse seu, sentindo o ranger das tábuas aos seus pés. Fitava a paisagem, que desenhava-se na sua mente como algo simultâneamente belo, e horrível. Não compreendia bem o porquê. |
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